Balcão das Federações

Intervenção de Daniel Monteiro na Gala do Desporto de Portugal

Mai 27, 2026 | Institucional, Banner

“Sr. Secretário de Estado do Desporto,

Sr. Presidente da Câmara Municipal de Sintra, a quem agradeço particularmente a disponibilidade evidenciada desde a primeira hora para nos receber.

Em vós cumprimento todos os atletas, treinadores, dirigentes, federações, clubes, famílias e adeptos hoje aqui presentes, Bem como todos os que nos acompanham através da Sport TV. Esta é a noite em que celebramos o talento, o trabalho, o sacrifício e a excelência. A noite em que o país se reúne para reconhecer aqueles que, ao longo de 2025, elevaram a nossa bandeira e deram prestígio a Portugal.

A todos os nomeados, homenageados e galardoados desta 29.ª Gala do Desporto de Portugal, deixo, em nome da Confederação do Desporto, uma palavra simples, mas profundamente sentida: obrigado.

Obrigado por tudo o que deram ao desporto. Obrigado por tudo o que deram e dão ao país. Os atletas que hoje distinguimos fazem já parte do legado histórico nacional. Cada resultado, cada medalha, cada título e cada momento de superação, é mais do que uma conquista individual: é a afirmação coletiva de um país que, tantas vezes com poucos meios, continua a mostrar ao mundo que tem talento, ambição e capacidade para competir ao mais alto nível.

Mas nenhuma vitória nasce sozinha. Esta noite é também dos treinadores, das equipas técnicas, dos dirigentes e das federações. E é dos clubes! Que são a porta de entrada, o primeiro treino, a primeira viagem, a primeira esperança. Em todo o território nacional, formam atletas, educam cidadãos e mantêm viva a prática desportiva organizada.

Mas é uma noite que também é das autarquias! Em demasiadas circunstâncias, são quem assegura no terreno aquilo que o estado central não garante. São elas que mantêm viva a ligação entre os clubes, as comunidades e os atletas. E é uma noite que pertence igualmente às famílias! Que são o chão onde o atleta se segura quando tudo o resto falha. São elas que acordam cedo, conduzem quilómetros, pagam inscrições, equipamentos, deslocações e estágios. São elas que alimentam sonhos quando esses sonhos ainda não têm apoio, visibilidade ou medalhas.

Há uma verdade que temos de dizer com frontalidade: Quando o país e o Estado falham ao desporto e aos atletas, estes não falham ao país. Representam-nos com orgulho. Competem com coragem. Ganham com mérito. Levam a nossa bandeira mais longe.

Mas não podemos aceitar que representar Portugal dependa, tantas vezes, do esforço financeiro das famílias, dos clubes ou dos próprios atletas. Não podemos continuar a ter portugueses a pagar do seu bolso para defenderem as cores nacionais. Isso não é justo. Não é digno. Nem é compatível com a ambição que dizemos ter.

O desporto vive de talento, mas não sobrevive apenas com talento. Vive de exigência, de ambição e dessa inconformidade permanente que nos impede de aceitar que o “quase” chega, que “participar” basta, ou que estar perto dos melhores é suficiente! A exigência e a ambição são a gasolina que mantém Portugal na disputa pelos lugares de topo.

Queremos mais finais, mais pódios, mais medalhas, mais campeões da europa, do mundo e olímpicos. Queremos entrar em cada competição internacional não apenas para estar presentes… mas para disputar resultados e afirmar a qualidade do nosso desporto! Só que essa ambição tem de ser acompanhada por compromisso político e investimento consistente.

Quando as federações têm capacidade de investimento, os resultados aparecem: mais praticantes, melhores condições, percursos mais sólidos e prestações internacionais mais consistentes. Já provámos que sabemos fazer muito com pouco.

Mas o futuro não pode continuar a depender do improviso, do sacrifício invisível e da resistência permanente dos agentes envolvidos. Se queremos resultados de topo, temos de criar condições de topo. Se queremos competir com os melhores, temos de nos preparar como os melhores. Se queremos continuar a ver a nossa bandeira subir nos grandes palcos internacionais, temos de dar ao desporto a prioridade que merece.

Esta noite teve um momento muito especial, com a entrega do Galardão Alto Prestígio à Fernanda Ribeiro. Fazemo-lo no ano em que se assinalam 30 anos da sua medalha de ouro nos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996. Num dos momentos mais emblemáticos da nossa história desportiva, Fernanda Ribeiro não conquistou apenas uma medalha de ouro.

Deu-nos uma memória eterna. Deu-nos orgulho. Deu-nos exemplo. Relembrou-nos que uma atleta portuguesa podia estar no topo do mundo. É, por isso, uma das maiores referências do desporto português. A sua carreira é património nacional!

Minhas senhoras e meus senhores,

Esta Gala é uma celebração. Mas é também uma responsabilidade. Celebramos os melhores, sim. Mas devemos perguntar o que estamos dispostos a fazer para que existam mais atletas, mais campeões, mais oportunidades e mais futuro. Porque o desporto não é um acessório do país. É educação, saúde, coesão, identidade, economia, prestígio internacional e orgulho nacional. A todos os atletas que hoje aqui estão: Portugal vê-vos. Portugal reconhece-vos. E Portugal agradece-vos.

Obrigado pela vossa presença nesta noite de celebração, memória e compromisso. Pelas federações. Clubes. Autarquias. Famílias. Atletas. E sempre, por Portugal.

Muito obrigado.”

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