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Dr. Ricardo Aido - "a probabilidade de contágio pelo SARS-Cov-2 é idêntica nos atletas"

Numa de situação de isolamento social devido ao COVID-19, o Dr. Ricardo Aido, especialista em Medicina Desportiva, deu uma entrevista à CDP com os cuidados a ter nesta fase e no regresso à normalidade.

CDP - Estamos a viver uma situação de isolamento social devido ao coronavírus, o que implica ficar dentro de casa por vários dias. Estamos a falar que tipo de vírus e que implicações tem na saúde em geral e, nos atletas em específico?
Ricardo Aido - O SARS-COV-2 é um novo coronavírus que faz parte de grupo de vírus capaz de originar infeções, habitualmente respiratórias, nos humanos. O facto de ser um novo vírus, com capacidade de transmissão importante e de não existir ainda vacina para o mesmo, torna-o capaz de produzir doença em larga escala que, nesse caso evolui para pandemia.
COVID-19 é nome atribuído pela Organização Mundial de Saúde à doença provocada pelo novo SARS-COV-2. A maioria da população saudável (onde se incluem os atletas) apresenta sintomatologia viral leve (semelhante a uma gripe), mas uma parte desta população (mesmo sem ter outras doenças conhecidas) pode evoluir para formas mais graves da doença com pneumonia, insuficiência respiratória grave e, em alguns casos, causar a morte.
O facto de não existir ainda uma vacina ou um tratamento específico, obriga a que haja a necessidade de implementar um conjunto de medidas para diminuir tanto quanto possível a transmissão do vírus. O isolamento social e as medidas de higiene massivamente difundidas visam impedir altas taxas de contágio, permitindo aos serviços de saúde continuarem a tratar os doentes com COVID-19 sem que haja uma rutura dos mesmos (o que levaria a altas taxas de mortalidade). O cumprimento destas medidas faz com que todos sejamos agentes de saúde publica.

CDP - O exercício físico pode ajudar no isolamento social. De que forma?
RA - Neste período de isolamento social o exercício físico não só ajuda como dever ser uma das mais importantes armas para combatermos o aumento do sedentarismo expectável quando estamos confinados ao domicílio. Todos devemos procurar, criar e manter algumas rotinas no nosso dia-a- dia. Nessas rotinas devemos incluir, se possível todos os dias, um período de pelo menos 30 a 45 minutos de exercício físico. O Exercício Físico vai permitir otimizar a nossa saúde física, até porque durante a pandemia não desaparecem as outras patologias que afetam boa parte da população (diabetes, hipertensão, obesidade, etc). Referir, por último que para além do exercício físico permitir uma melhoria da nossa saúde física aporta também (e não menos importante) uma melhoria efetiva da nossa saúde mental.


Ricardo Aido tem liderado as Equipas Médicas de Portugal nos Jogos Desportivos da CPLP, desde 2008 e nas Universíadas, desde 2009

CDP - Que cuidados devemos ter quando fazemos exercício físico em casa, quer estejamos a falar de atletas ou cidadão comum?
RA - Sempre que possível o exercício físico deve ser orientado por Profissionais do Exercício Físico. São eles as melhores pessoas e aquelas mais capazes para, quer através do envio de planos de treino, quer através de teleconferência, proporcionarem a quem está no domicílio possa executar exercícios de forma segura e, ao mesmo tempo eficiente. Nunca é demais lembrar que a Actividade Física é definida como todo o movimento produzido pelos músculos esqueléticos com gasto energético acima do nível de repouso (tarefas domésticas, passear o cão, etc) e o Exercício Físico é definido como uma sequência sistematizada de movimentos de diferentes segmentos corporais, executados de forma planeada e com um determinado objetivo a ser atingido (o que habitualmente associamos ao nossos treinos).

CDP - O coronavírus compromete a função pulmonar e, nesse sentido as pessoas que apresentam melhor condição física - praticam exercício físico e desporto regularmente - conseguem dar uma melhor resposta melhor à doença ou não há nenhuma ligação?
RA - Julgo que é importante referir que apesar de os atletas serem, por norma, pessoas mais jovens e sem doenças de base importantes, a probabilidade de contágio pelo SARS-Cov-2 é idêntica. Felizmente a maioria dos atletas com Covid-19 vai apresentar sintomatologia ligeira e uma melhor resposta à doença. Ainda assim alguns deles (mesmo que não tenham nenhum fator de risco conhecido) vão desenvolver sintomas mais graves que podem incluir insuficiência respiratória grave e inclusive morte. Os atletas nas faixas etárias mais velhas e com doenças de base subjacentes apresentam maior probabilidade de apresentarem doença viral mais severa.

CDP - Apesar do cancelamento e, em alguns casos adiamento de eventos desportivos, muitos atletas continuam a treinar em casa uma vez que têm objetivos a cumprir. Mas será que a saúde está em primeiro lugar ou tomando precauções há forma de o continuarem a fazer. Se sim, que precauções?
RA - A saúde dos atletas deverá estar sempre em primeiro lugar. Julgo contraproducente reiniciar eventos desportivos nos tempos mais próximos porque será impossível garantir uma completa segurança dos atletas. Para os atletas, a melhor forma de redefinir objetivos e reajustarem o seu plano de treino é adaptarem o mesmo juntamente com as pessoas que incluem o seu grupo de trabalho (treinadores, preparadores físicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, enfermeiros e médicos). Será, sempre que possível, uma discussão de uma equipa multidisciplinar em que o princípio basilar deverá ser sempre a saúde do atleta e a ausência de risco de contágio.
Julgo ainda que este é mais um bom momento para os atletas (como modeladores da opinião pública) darem os bons exemplos para que estes sejam refletidos na população em geral.

CDP - Este vírus terá impacto no mundo desportivo no futuro? Haverão cuidados diferentes a ter, sobretudo no que diz respeito aos cuidados médicos, como consequência desta pandemia?
RA - A pandemia teve um impacto brutal no mundo desportivo e é expectável que, pelo menos, até ao aparecimento da vacina o impacto se prolongue no tempo. Julgo que este é um momento em que muitos de nós temos que nos “re-inventar”. Cabe também às equipas clínicas adaptarem-se à nova realidade e promover estratégias que defendam os atletas e permitam o regresso competitivo de uma forma segura para os mesmos. A confirmar-se a possibilidade de termos testes serológicos em massa e com resultados rápidos nas próximas semanas, poderemos estar perante uma nova abordagem que permita esse regresso progressivo mas sempre condicionado. Aproveito ainda para deixar um alerta (dada a recorrente e crescente divulgação “pseudo-científica” que se tem verificado): até ao momento a ciência não tem demonstrado que o aporte de suplementos ou vitaminas de qualquer tipo contribua para uma menor taxa de contágio ou mais rápida cura da COVID-19 pelo que a sua recomendação clínica aos atletas com esse propósito não tem fundamento científico.

CDP - No regresso à normalidade que cuidados devemos ter? Quais os seus concelhos?
RA - O regresso à normalidade ainda deve demorar mas julgo que estamos mais perto de iniciar uma normalidade adaptada. Sobretudo até que a vacina esteja no mercado julgo importante quando tiverem que sair de casa respeitem as normas de distanciamento social e USEM MÁSCARAS, assim como as medidas gerais já divulgadas (lavar frequentemente as mãos, não tocar com as mãos na boca, nariz e olhos, etc). Será também importante continuar a proteger as pessoas mais velhas ou com doenças prévias que condicionem o seu estado de saúde geral.

CDP - Que mensagem gostaria de deixar neste contexto de isolamento social.
RA - A mensagem mais importante é e continuará a ser FIQUEM EM CASA.
Portugal conseguiu, até ao momento, escapar a um destino que já muito nos tinham traçado, que seria seguir o caminho de Itália e de Espanha. Este é um feito que se deve ao esforço de TODOS OS PORTUGUESES e, julgo que esta é uma mensagem positiva que deve ser passada, neste período difícil onde devemos reforçar a nossa união nas atitudes e nos valores que permite continuar o nosso esforço de, com respeito, sermos todos de todos. Por último termino com a frase que mais tenho usado neste difícil período: VAI DOER MAS VAI PASSAR.

Resumo curricular
-Especialista em Ortopedia

-Especialista em Medicina Desportiva
-Pós-Graduado em Medicina Desportiva pela Universidade do Porto
-Assistente Hospitalar do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim - Vila do Conde (Coordenador da Unidade de Traumatologia e Medicina Desportiva)
-Director Clínico TRUST Gestão Integrada de Saúde
-Coordenador Equipas Médicas de Portugal nos Jogos Desportivos da CPLP (2008,10,12,14,16,18)
-Coordenador Equipas Médicas de Portugal nos Universíadas (2009,13,15,17,19)
-Médico da Selecção Nacional Seniores Masculinos de Voleibol (desde 2009)


Fonte: CDP, 13/04/2020

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