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Presidente da CDP ao JN - "Receio que os clubes de base possam extinguir-se"

Em entrevista para o Jornal de Notícias, Carlos Paula Cardoso, presidente da CDP, revelou quais as suas principais preocupações para o sector desportivo e abordou o momento associativo que se vive agora, com foco nestes tempos de pandemia, em que crescem as exigências e se pedem as melhores soluções.

Quando questionado se achava ser viável a retoma das atividades das modalidades desportivas, Carlos Paula Cardoso reforçou a “necessidade premente” da retoma e que “é preciso um protocolo de cada modalidade com a DGS. Isso tem estado a acontecer e é uma questão em evolução”.

Ao ser abordada a questão da presença de público, o presidente questiona o facto de no desporto ainda não ser possível ter público, uma vez que “tem havido espetáculos de várias índoles culturais com público” e afirma que “as modalidades não são todas iguais. Tem de haver cuidados e seguir as recomendações da DGS. Num estádio de futebol de grandes dimensões é perfeitamente possível ter público. Sabemos que o público de algumas modalidades, que não só o futebol, às vezes, não é propriamente o que vai ao teatro. Mas o público é fundamental, até para a sobrevivência dos próprios clubes.”

Salientando as medidas tomadas e as dificuldades que se atravessam, Carlos Paula Cardoso defende que “com o Governo tem havido uma excelente relação”, mas que “as federações que dependem muito da bilheteira e das competições. Essas logicamente que estão a sentir bastante este período. Como é óbvio, as federações também têm sido muito afetadas. Os próximos tempos exigem trabalho, para que se consiga executar o que se pretende. Também depende muito de como se possa controlar a epidemia, da descoberta de uma vacina e da ajuda global na retoma.”

Por fim Carlos Paula Cardoso abordou ainda este primeiro ano de mais um mandato, enquanto presidente da CDP.

Pode ler a entrevista completa em baixo…

Jornal de Noticias (JN) - O secretário de Estado do Desporto disse que esperava ser possível retomar a atividade das modalidades coletivas no fim de agosto. Acha isso viável?
Carlos Paula Cardoso (CPC) - O movimento associativo está desejoso disso. Há uma necessidade premente de retomar a atividade. É possível retomar-se, a questão é que, muitas vezes, os pavilhões não pertencem aos clubes e isso cria mais problemas. Mas não equacionamos outro cenário que não seja o da retoma.
Estão a discutir com a Direção-Geral da Saúde algum plano para que esse regresso ou continuam a aguardar indicações sobre as regras a seguir?
Enquanto o Governo não o permitiu, não era possível. Mas já há parecer favorável. É preciso um protocolo de cada modalidade com a DGS. Isso tem estado a acontecer e é uma questão em evolução.

JN - Tem apelado ao Governo para que seja possível voltar a ter público nos eventos desportivos. Na Alemanha o futebol continuará à porta fechada até 31 de outubro. Acha que por cá será possível ter espectadores nas bancadas mais cedo?
CPC - Tem havido espetáculos de várias índoles culturais com público. Perguntamos a razão de não ser possível o desporto também ter público. Há que ser realista. As modalidades não são todas iguais. Tem de haver cuidados e seguir as recomendações da DGS. Num estádio de futebol de grandes dimensões é perfeitamente possível ter público. Sabemos que o público de algumas modalidades, que não só o futebol, às vezes, não é propriamente o que vai ao teatro. Mas o público é fundamental, até para a sobrevivência dos próprios clubes.

JN - Da moção estratégica que a Confederação, o Comité Olímpico e Paralímpico, apresentaram ao Governo já alguma das medidas propostas está a ser implementada ou em vias disso?
CPC - Mal se entrou em confinamento, reunimos e tomámos decisões. As questões fiscais são essenciais. Falava-se no IVA e de um apoio maior às federações. Há ainda preocupações com as competições e a questão do público. Há coisas que estão a andar, mas não com a celeridade que pretendíamos. Com o Governo tem havido uma excelente relação. Com o confinamento houve medidas imediatas, mas depois colocá-las em prática tem sido mais lento do que estávamos à espera. A partir de setembro tem de se melhorar, de contrário o desporto entrará numa crise muito maior do que a que já está.

JN - Nesta altura difícil é vital criar rapidamente o Fundo Especial de Apoio ao Desporto que propõem?
CPC - É fundamental. Desde maio que temos falado nisso. É um problema à escala internacional. A opinião é unânime, mas até agora ainda não está visível.

JN - As federações e, sobretudo, os clubes vão conseguir sobreviver se os constrangimentos, financeiros e desportivos, resultantes da pandemia, se prolongarem por muito mais tempo?
É o nosso principal temor. Há muito receio que os clubes de base, aqueles que têm o trabalho de captação e de chamar os jovens para a prática desportiva, possam vir a extinguir-se por falta de apoio. Os clubes de estrutura mais débil, tememos que venham a desaparecer e que não consigam recuperar.

JN - Tem conhecimento de clubes que já encerraram as portas?
CPC - Não. Em concreto, A, B ou C não. Com o confinamento, a atividade diminuiu. A ideia é tentar sobreviver, com orçamentos mais baixos. A Confederação fez também reuniões com as associações de municípios e de freguesias. Esses clubes dependem em grande parte do apoio autárquico. Isso acontece há muitos anos. É preciso evitar que estes clubes desapareçam.

JN - Sabe de federações em dificuldades financeiras?
As federações que dependem muito da bilheteira e das competições. Essas logicamente que estão a sentir bastante este período. Como é óbvio, as federações também têm sido muito afetadas. Os próximos tempos exigem trabalho, para que se consiga executar o que se pretende. Também depende muito de como se possa controlar a epidemia, da descoberta de uma vacina e da ajuda global na retoma.

JN - Como estão as federações a trabalhar, para tentar retomar a normalidade?
Com esforço, sabendo que há muito trabalho pela frente, para que até ao fim do ano se possa ultrapassar isto. Estamos numa fase de verão e muitas competições foram descontinuadas. Em breve serão retomadas. Em geral, as federações procuram reagir o melhor que puderem. Este fim de semana vai haver atletismo, tem havido natação e canoagem, é um princípio. Os contratos-programa estão a ser cumpridos, mas as federações têm de arranjar fundos noutras áreas e isso cria dificuldades.

JN - A pandemia obrigou a uma mudança na forma de gestão de federações e de clubes?
Teve de ser assim. Até pela forma como as pessoas se começaram a relacionar e o funcionamento das próprias instituições. Trabalhou- -se mais em casa, aproveitando os meios de comunicação.

JN - Esta pandemia vai significar um retrocesso na evolução positiva que se vinha a verificar nas modalidades em Portugal, nos últimos anos?
Vai certamente. As pessoas são as mesmas e a vontade de pôr a casa a funcionar ainda será maior. Mas houve a descontinuidade de algum trabalho, mesmo a nível internacional, e isso afeta grandemente o normal funcionamento. Quanto mais tempo levar a ultrapassarmos esta fase, mais complicada vai ser a retoma.

JN - O que é necessário fazer para continuar a apoiar a formação, que produz muitos atletas para a alta competição?
É uma das questões que temos levantado. Quem sofre mais são os escalões de formação. É essa a parte que acaba por ser descurada: pelas federações, porque não têm esse dinheiro, e pelos clubes, que se veem com dificuldades para viver. No período de crise do início da década anterior houve cortes e surgiram menos jovens. Quando há problemas são nestes escalões que se refletem mais.

JN - Portugal tem a decisão da Champions e vai receber provas do Mundial de Fórmula 1 e de MotoGP. São vitórias do desporto português?
É importante para o país. Não digo que o desporto em geral beneficie muito. São vitórias dessas modalidades, não do desporto em geral. Mas há um reconhecimento do que essas modalidades estão a fazer.

JN - As principais provas internacionais foram adiadas para 2021. Acredita que Portugal terá condições para que atletas e seleções possam preparar-se bem?
Acho que sim. Os atletas olímpicos foram os primeiros a beneficiar do desconfinamento, com a autorização para que treinassem. Têm tido apoio, embora sem competição, o que origina uma preparação diferente. Mas estão em pé de igualdade com os adversários.

JN - Foi reeleito presidente em 2019. Até que ponto a pandemia pode colocar em causa os objetivos a que se propôs?
Temos gente bem inserida há muitos anos no movimento associativo. Montámos uma rede colaborativa, permitindo uma discussão aberta. Tem havido um percurso bastante positivo.

Pela primeira vez, teve oposição nas eleições. É um sinal de quê?
Bem, foi a primeira vez que a oposição chegou às eleições. Em 2007 tivemos oposição até à véspera da entrega dos cadernos eleitorais e depois essa lista desistiu. Não queremos que a oposição seja um problema, mas que ajude e discuta ideias. Com a tomada de posse, voltámos a ter uma Confederação a uma só voz. Todas as federações são bem-vindas.

JN - No início do ano, pedia mais dinheiro para as federações e protestava contra o orçamento. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?
Pois. Nessa altura não pensávamos que íamos ser afetados gravemente com a covid-19. Claro que agora as questões são diferentes. Precisámos de mais dinheiro, obviamente. Mas é também fundamental que o movimento associativo tenha capacidade para trabalhar. Com outros apoios e acessos a mais verbas, como a dos Jogos Santa Casa, as federações conseguirão melhores resultados. Muitas modalidades têm tido melhoria substancial, mas outras sentem tremendas dificuldades. É fundamental que o Estado veja a necessidade de incrementar mais o desporto.

JN - Continua a faltar a devida valorização política do desporto?
Sim. O ministro da Educação e o secretário de Estado do Desporto não estão em causa. Mas o peso político do Desporto não está ao nível dos resultados que nos exigem. Essa é a questão. Portugal tem provas dadas, a nível internacional, em várias áreas. Quando há vitórias internacionais, há regozijo geral. O país fica satisfeitíssimo, mas depois quando tentamos transpor isso para a importância que o desporto de competição tem, não é proporcional.

Fonte: CDP/JN, 17/08/2020

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