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O “BULLYING” NO DESPORTO

Assinalou-se, no passado dia 20 de outubro, o “Dia Mundial de Combate ao Bullying”, data em que se pretende lançar um alerta internacional para um problema com que muitos jovens se debatem no seu dia a dia, sobretudo em ambientes escolar e desportivo.

Ciente da importância e das suas consequências nefastas no âmbito desportivo, a Confederação do Desporto de Portugal (CDP) resolveu associar-se à data e lançar uma campanha nacional contra um “flagelo” que ocorre na prática desportiva, sobretudo entre os mais jovens, sob a forma de violência verbal, física ou psicológica, e é exercida reiteradamente entre pares.

Ainda neste âmbito, importa lembrar, que a CDP, fez recentemente uma parceria com a Escola Superior de Comunicação Social, participando na unidade curricular de Laboratório de Consultoria em Comunicação e lançou o desafio aos estudantes de elaborarem uma campanha para o combate ao “bullying” no desporto. A CDP, foi ainda parceira e coorganizadora do ciclo anual de Conferências e Seminários promovido pelo Curso Profissional Técnico de Apoio à Gestão Desportiva, sobre o mesmo tema.

No desporto, trata-se de um fenómeno essencialmente verbal, que acontece sobretudo dentro do balneário ou em locais menos vigiados, escapando a qualquer tipo de vigilância e incidindo na ridicularização da performance desportiva ou nas características físicas das vítimas, tais como o excesso de peso. Não podemos hoje ignorar o “bullying” físico, sobretudo nos grupos de atletas mais novos, o “bullying” psicológico/social que tende a excluir, ignorar, espalhar boatos, roubar ou danificar pertences ou a sua forma mais recente, o “Cyberbullying” onde são difundidos vídeos, fotografias ou comentários indesejados através de mensagens, emails ou redes sociais.

Recentemente, conscientes desta problemática, e tendo conhecimento do estudo realizado pelo Dr. Miguel Nery, para o seu doutoramento, sobre “O Bullying na formação desportiva”, foi promovido, no Museu do Desporto, um debate sobre “O Bullying no Desporto”, tendo como oradores convidados, os professores da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), Carlos Neto e Miguel Nery.

Esta Faculdade foi uma das pioneiras na abordagem deste tipo de comportamento agressivo no desporto, tendo sido desenvolvido um estudo junto de jovens desportistas masculinos federados com o objetivo principal de conhecer e analisar o fenómeno do “bullying” no contexto da Formação Desportiva em Portugal. Foi utilizada uma amostragem de 1500 atletas, sendo que mais de 10% dos inquiridos se considerou vítima de “bullying”. Foi identificado ainda que 11,2% são agressores e quase 35% assiste impávido a essas agressões. O inquérito foi feito em todo o país a jovens praticantes de nove modalidades: atletismo, ginástica e natação (modalidades individuais); andebol, futebol, râguebi e voleibol (coletivas) e judo e luta (desportos de combate). Temos consciência que estes valores podem ainda estar mascarados. Existe a perceção que a realidade pode ser ainda mais gravosa, uma vez que este estudo se debruçou unicamente sobre a relação entre atletas e é do conhecimento público que o “bullying” no desporto tem como intervenientes também os treinadores e até mesmo os próprios pais dos atletas envolvidos.

Devemos acrescentar que todos aqueles que estão envolvidos no fenómeno desportivo, sabem que a cultura de treino extremamente rígida de algumas modalidades faz com que estes comportamentos sejam, por alguns, considerados como parte integrante de um percurso necessário para se atingir o sucesso desportivo. O reverso da medalha é, frequentemente, o abandono da prática desportiva, sem que a causa deste seja assumida a causa, o que também mostra a falta de denúncia desta realidade.

Infelizmente, os casos que têm vindo a público, como o da basquetebolista Sara Djassi, que recentemente tornou pública a sua história, vêm confirmar a existência deste problema, alertando-nos para a necessidade urgente da sua denúncia, como forma de combate a este flagelo.
O cenário internacional dá-nos conta de inúmeras situações de atletas vítimas de vários tipos de “bullying”. Na última semana foi tornada pública a notícia de abusos sofridos por atletas inglesas da equipa olímpica de ginástica, que motivaram a desistência da modalidade, de uma delas. Várias ginastas britânicas de elite relataram treinos violentos, insultos constantes e outros abusos, alguns deles cometidos quando eram ainda praticamente crianças.

Neste sentido, urge debater, discutir e dar visibilidade a esta problemática, criando condições e estratégias para irradiar o “bullying” do Desporto.
Não temos qualquer dúvida de que algo é fundamental ser feito. A forma de eliminar esta praga passa pela prevenção e têm de ser tomadas medidas nesse sentido. Acreditamos que o Plano Nacional de Ética no Desporto poderá ser um dos instrumentos fundamentais para esta ação.

Anabela Reis, Vice-Presidente da CDP

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