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CDP Entrevista: O clima ameno de Portugal como um paraíso para o desporto

Fernando Feijão, presidente da Federação Portuguesa de Orientação, André Santos, CEO da marca NELO e Mário Leal, coordenador de eventos da Azores Trail Run, foram os oradores da rúbrica CDP Entrevista desta semana, num debate que promoveu a importância do desporto na relação com a prática de atividade física na natureza.



Para Fernando Feijão, desporto e natureza são dois elos que, quando se juntam, resultam numa fórmula vencedora, não apenas pelo prazer que proporciona aos praticantes, mas também pelas oportunidades que oferece. «A Orientação é uma das modalidades que se pratica normalmente na natureza, embora também se possa praticar nas zonas urbanas. Na natureza é mais agradável porque se pratica em várias vertentes: pode ser a pé, de bicicleta, de caiaque. Além disso, temos várias vantagens para a economia local, para o lazer, para a saúde. Como eu digo muitas vezes, a Orientação é saudável, agradável e é sustentável». De acordo com o presidente da Federação Portuguesa de Orientação, a boa relação entre o desporto e a natureza ajuda a manter o ambiente limpo, o que se torna uma mais valia para a modalidade. «Pratica-se em todas as faixas etárias e apela não só ao físico, como também ao cognitivo, que é também outra vantagem, a pessoa mantem o corpo e a mente sãos, até ao fim da vida».
Por seu lado, Mário Leal, coordenador de eventos da Azores Trail Run revelou que a beleza da natureza, principalmente as notáveis paisagens da ilha dos Açores, são o ingrediente chave, do ponto de vista turístico. «A parte aquática, o mar, a vela, os desportos todos de mergulho, toda esta envolvência da prática da atividade e natureza, é exponenciada. Quando fazemos desporto na natureza, sentimo-nos melhor». E prova disso são os trails na ilha. «Subir ao Pico, subir à montanha mais alta de Portugal, que é um percurso muito curto, mas com um declive muito acentuado, por exemplo, através das corridas. As pessoas começam a aparecer com vontade de desafio, começou a aparecer a procura de ir do mar à montanha. Enquanto o percurso da casa da montanha até ao topo do pico são três quilómetros e meio, nós temos um evento que é um percurso de vinte e sete. Já passamos por outros caminhos, outras zonas, pela vinha que é património Mundial da UNESCO, e vamos correndo os vários níveis da montanha aos dois mil e trezentos metros».

Uma fuga para a natureza que não deixou indiferente André Santos, que não tem dúvidas que as atividades em contato com a natureza estão a apaixonar os portugueses. «Temos um potencial elevadíssimo no que diz respeito aos nossos rios, às nossas barragens, e obviamente à nossa costa». Apesar da vasta riqueza de Portugal, o CEO da Nelo, marca premiada no ramo da canoagem, está ciente de que, existe ainda muito trabalho para fazer na divulgação desses espaços e dessas atividades, bem como, da forma como as pessoas as podem praticar. André Santos referiu ainda que é preciso olhar para o exemplo francês, legislar e criar infraestruturas no país. «Na nossa costa continuamos ainda muito virados para a praia, para o turismo, turismo praia e não muito para as modalidades. Em França existe muita legislação sobre a prática da canoagem, quais são as praias onde podem praticar certos desportos de vela, de surf ou de canoagem, ou seja, existe uma regulamentação e um enquadramento que permite que essas atividades depois floresçam e que não sejam vistas como atividades super-radicais e super-perigosas. No trail, certamente já existem muitas questões sobre onde podem passar, o que é ou não permitido, quem é que pode organizar e quem não pode, todas essas questões devem ser bem enquadradas para que o desporto cresça de forma sustentada na natureza e dê segurança aos seus praticantes».

Esta linha de pensamento foi também partilhada por Fernando Feijão, num aspeto bastante particular. «Não sei se é por falta de legislação ou se, por vezes é legislação a mais. O trail, na minha perspetiva, surgiu da aventura. Nos anos noventa participei em muitas provas de aventura, e a aventura era exatamente isso, com um mapa de orientação, com as cartas militares ou cartas tipográficas feitas por técnicos, e praticava-se tanto o BTT, a Orientação pedestre, canoagem, tiro com arco, etc. Posteriormente, com o aperto da legislação, com as exigências que se começaram a criar, surgiu o trail que é muito mais prático e fácil, bastando apenas a marcação de pontos ou sinaléticas no percurso. Não existe um mapa, a pessoa só tem de correr. Penso que há certas limitações legais que acabam por limitar o procedimento de algumas modalidades».

Para o presidente da Federação Portuguesa de Orientação, o desporto da floresta é a modalidade que menos risco causa, no entanto, é a modalidade que mais entraves encara. «Os praticantes da modalidade são os guardiões da floresta, praticada na natureza, e ainda não arrancou. Apenas tem algumas atividades informais, treinos organizados por alguns clubes, mas ainda não temos organizadores para as provas, exatamente porque as delegações regionais de saúde criam dificuldades, as autarquias também criam algumas limitações, os clubes que são os organizadores, têm grandes dificuldades em ultrapassar todas as situações burocráticas que lhes são levantadas. E isso neste momento é um dos nossos grandes problemas. A nossa modalidade é de baixo risco e nunca criou dificuldades, porque o distanciamento social e todas as regras seriam cumpridas. As atividades por norma são individuais e as pessoas apenas se cruzam, se o percurso, o traçado, assim o permitir».

O sentido de descoberta individual, cada um supera-se a si próprio, aliados à riqueza de clima que Portugal tem, a diversidade de relevo, todo o aspeto do território, foram as condições apontados por Fernando Feijão para mostrar o sucesso de todas as modalidades que se praticam ao ar livre. «Somos uns privilegiados tanto no mar, como em terra. Temos zona costeira, temos zona interior, temos serra, temos neve, temos tudo, só nos falta muitas vezes a capacidade de decisão e organização».

Além da reorganização das leis, que é um fator urgente, Mário Leal chamou ainda a atenção para a existência de um desconhecimento coletivo. «A ideia é por toda a gente a fazer a atividade. Há uma falta de cultura e conhecimento generalizado por parte de quem pratica e de quem faz as leis. Falta essa cultura de fazer atividade física».

Um fator que, para André Santos não afeta apenas os portugueses. «Existe mais procura do que oferta e também a procura externa, de estrangeiros que querem vir para Portugal praticar desporto ao ar livre. As pessoas quando vem de férias, querem praticar desporto». O CEO da marca Nelo falou ainda nas discrepâncias que existem no país. «Em Portugal temos um grande investimento nas ciclovias, o que me parece um excelente incentivo a que as famílias percorram o nosso país de uma forma sustentável. Mas não existe um paralelo no que diz respeito aos nossos planos de água. Poucos são os rios em Portugal onde se eu quiser saber onde é que posso entrar na água, sair da água, qual é que é o grau de dificuldade do percurso, se há ou não obstáculos, como é que eu percorro isso, a maior parte deles, não estão mapeados dessa forma». André Santos acredita que se muitas destas ações não partirem do Governo, as modalidades nunca poderão ser praticadas em pleno e em segurança. «Tem de se abrir, através dessas entidades, a capacidade de dizer às pessoas que, quem quiser praticar uma atividade, canoagem ou vela neste plano da água, estas são as indicações, estes são os sítios, este é o sitio onde pode alugar equipamentos, se trouxer o seu equipamento, este é o local onde pode praticar, e isso em Portugal não existe».

Oportunidades que têm sido desperdiçadas do ponto de vista de Fernando Feijão, que considera que o clima ameno de Portugal, durante quase todo o ano, é um paraíso para o desporto, particularmente para as modalidades. «O desporto é o futuro, porque cada vez mais o ser humano, atendendo às condições de vida, à produtividade, à falta de trabalho, tem que se distrair com alguma coisa, e o desporto, pode ser a forma de muita gente encontrar um refúgio para ocupar os seus tempos livres, para ter mais saúde, e depois tem vários efeitos indiretos. Na economia é mais que visível, os eventos em si, a economia local, a economia regional, a hotelaria, a restauração, leva a que as pessoas venham e voltem. E os eventos internacionais são uma grande riqueza para o país».

Não só pela paisagem, pela natureza que desperta sentidos, pela boa prática da atividade física, que promove a saúde e a qualidade de vida que o desporto, pretende dar voz a todos os atores que têm uma ideia, uma palavra que pode contribuir para mudanças essenciais no setor desportivo. Não apenas, para o mundo da alta competição com objetivos europeus, campeonatos do mundo e jogos olímpicos, mas para todos os que querem sentir-se bem consigo próprios. Para Mário Leal, a «atividade e a natureza, ela é, uma ferramenta explosiva. Quem não está preocupado com o ambiente, com a sustentabilidade, de repente apanha-se a praticar um desporto de natureza, regra geral muda completamente de opinião. Já não atira lixo para o chão, já se preocupa com os consumos e já não deita nada para o rio. Os corredores são policias da natureza».

Fonte: CDP, 26/05/2021

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